segunda-feira, novembro 22, 2010

Antes da dor

Não vou telefonar, não vou mandar torpedo, apesar da vontade imensa de reatar. O orgulho assumiu meu quarto. Conversa com ele agora (...) Estou de castigo, protegida, ausente, impedida de responder po mim. Se fosse responder, avisaria que dependo de você, que o desejo de volta. Infelizmente sou capacho da minha angústia.
O desamor é treino. Não existe desamor. Existe ensaio, simulação da indiferença... Não que não sinta nada por você, sinto absolutamente tudo mais do que nunca e não consigo comunicar (...)
Fingirei que me darei melhor sozinha. É uma estrondosa mentira... Sou uma mesa pra dois, serei sempre uma mesa pra dois. Levarei minhas malas para ocupar a cadeira ao lado. Enfrentarei o questionamento: "Onde você anda?", nos lugares em que frequentávamos juntos. Explicarei que terminamos, escutarei dos amigos que é normal e que logo estaremos juntos de novo, comentarei que é definitivo... para não sofrer mais.
(...) Complicado porque você me ensinou a gostar de verdade. Não tivemos filhos, não tivemos uma casa pra dividir a partilha... Nosso amor não tem endereço como um circo, montado e desmontado na estrada.
Como dói o que não começou a doer. Não preciso de férias, preciso de outra vida.


[Fabrício Carpinejar]

levemente adaptado...

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